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Técnica evita cirurgias de risco

 

Procedimento para conter hemorragias internas em artérias – embolização - pode ser realizado através de cateterismo

 

Muitas cirurgias complexas, delicadas e de alto risco, como as de aneurismas cerebrais ou de outras localizações podem ser evitadas através do processo de embolização, que pode ser realizado através diferentes agentes. O mais interessante é que a embolização é feita por cateterismo de forma minimamente invasiva (através da passagem de uma cânula muito fina por uma pequena abertura, geralmente na virilha, que segue até o local a ser tratado), oferecendo menor risco ao paciente e resultados mais rápidos e seguros.

 

Recentemente, dois casos bastante raros na medicina mundial foram resolvidos através desta técnica. O primeiro, de um rapaz de 31 anos, Júnior (nome reduzido para se manter o anonimato), que se submeteu à cirurgia de hemorróidas e, depois, teve sangramento intenso. Sem saber, pois não tivera complicações em suas intervenções passadas, ele era portador da “Doença de von Willebrand”, que pode ser caracterizada como um tipo leve de hemofilia, resultante de defeito quantitativo e/ou qualitativo do fator von Willebrand – um dos responsáveis pela coagulação sangüínea. Sendo a mais comum das doenças hemorrágicas, ela acomete cerca de 1% da população e a grande maioria nem sabe que é portadora.

 

A cirurgiã vascular Dra. Neiva Jacques, do Hospital Santa Rita, foi chamada para tentar, através da embolização, coibir a hemorragia. “Muita gente pode ser portadora dessa doença e não saber, já que ela se manifesta, geralmente, quando a quantidade desse fator no sangue é pouca. E foi o caso. Ele nem sabia que era portador e já tinha feito outras cirurgias sem intercorrências. Como ele estava internado na UTI, os responsáveis pelo setor já tinham ministrado reposição de derivados do sangue para que ele não perdesse funções vitais. Ele é jovem e isso ajudou muito”, descreve a médica. Ela nos conta que o paciente corria o risco de amputar o reto, porque a hemorragia não cessava, resultando em uma colostomia definitiva, com grave prejuízo à sua qualidade de vida.

 

Dra. Neiva então resolveu realizar a embolização das artérias do reto por cateterismo. Segundo a médica, um procedimento seguro e que vem sendo aplicado, com sucesso, em vários casos de hemorragia como tumores de distintos órgãos (miomas, câncer de rim, próstata, útero, bexiga, entre outros), aneurismas cerebrais ou de outros órgãos. “Além do tratamento da hemorragia em atividade, as embolizações também são realizadas até mesmo antes de uma cirurgia para diminuir o risco de hemorragia no intra-operatório”, explica a médica.

 

O segundo caso é de uma paciente de Maceió que, depois de uma incessante e estressante jornada por clínicas e médicos de todo o país, conheceu os serviços de embolização do Hospital Santa Rita, através da Dra. Neiva. “Há alguns anos, comecei a ter um aumento repentino e significativo de pressão arterial. Nunca tinha tido antes. Ao fazer exames, em minha cidade, soube que só tinha um rim e que, neste rim, tinha dois grandes aneurismas. Ninguém lá sabia como tratar!”, conta a paciente Bethânia.

 

Vindo a São Paulo, procurou médicos de renome que disseram a ela ser a cirurgia a única forma de solução do grave problema. Porém, com um detalhe: havia 98% de chances de perder o único rim que tinha já que haveria a necessidade de ser retirado, operado externamente e depois reimplantado. “Desesperei-me”, revela. Foi aí que ela conheceu a Dra. Neiva e o processo de embolização. Apesar de delicado, o resultado deste procedimento, na paciente, dava muito mais segurança do que a forma cirúrgica.

 

Há nove meses, ela então se submeteu ao procedimento, já que um de seus aneurismas, o qual já era grande, começou a ficar ainda maior, com iminente risco de ruptura. “A Dra. Neiva usou como agentes ‘molas’ que conseguiram fazer com que o aneurisma coagulasse e o sangue voltasse a circular novamente. Fiquei internada apenas uma semana para avaliação da função renal”.

 

O segundo aneurisma, localizado no interior do rim de Bethânia, também diminuiu significativamente, mesmo sem ter sido submetido ao mesmo procedimento. “Muito provavelmente esse resultado aconteceu por conta do fechamento do primeiro aneurisma. Com uma menor turbulência sangüínea, a pressão sobre este ponto foi menor, diminuindo o seu tamanho. O que temos de fazer agora é controlar e acompanhar continuamente. Agora ela pode praticar esportes, enfim, viver plenamente,”, finaliza Dra. Neiva.

 

 

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