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Boa para o coração (Fonte: jornal "Correio Braziliense")

17/11/2009 - Associação Cardíaca Norte-Americana publica estudo comprovando que praticantes da meditação têm 47% menos episódios ligados a doenças cardiovasculares, como pressão alta e enfartes

Os efeitos benéficos da meditação transcendental já foram descritos por diversos pesquisadores. Pela primeira vez, porém, foi possível verificar que a prática milenar não só atua no combate ao estresse, como reduz significativamente eventos ligados a doenças cardiovasculares, como ataques cardíacos, enfartes e mesmo mortes. A pesquisa, que será apresentada hoje pela Associação Cardíaca Norte-Americana, em Orlando, constatou que os riscos de algum desses episódios ocorrer diminui 47% entre praticantes da meditação.

O estudo, que consumiu
US$ 3,8 mihões dos institutos nacionais de Coração, Pulmão e Sangue dos Estados Unidos, foi conduzido pelo Medical College of Wisconsin, em Milwaukee. Durante nove anos, foi feito o controle clínico de 201 homens e mulheres, com idade média de 59 anos e histórico de entupimento das artérias coronárias. O grupo pôde escolher entre duas opções: participar de aulas educativas sobre fatores de riscos, incluindo mudanças alimentares e exercícios, ou integrar uma turma de meditação transcendental. Os melhores resultados foram observados naqueles que fizeram a segunda opção.

“Pesquisas anteriores sobre meditação transcendental mostram que a prática reduz a pressão arterial, o estresse psicológico e outros fatores de riscos cardíacos. Mas esse é o primeiro estudo clínico mostrando que, praticada por um longo período, a meditação reduz a incidência de problemas cardiovasculares”, disse ao Correio o principal autor da pesquisa, Robert Schneider, diretor do Centro de Medicina Natural e Preventiva.

De acordo com ele, a meditação tem esse efeito no organismo porque ajuda a equilibrar os níveis fisiológicos e endocrinológicos e as funções cardiovasculares: “Provavelmente, isso faz com que os fatores de risco diminuam, evitando doenças cardíacas e altas taxas de mortalidade”. Além da redução da mortalidade e dos eventos como enfartes e ataques cardíacos, houve redução em média de 5mm/Hg da pressão sanguínea e das taxas de estresse dos participantes. Todos eles continuaram tomando suas medicações habituais.

Mente livre
Praticante desde os 13 anos e instrutora há mais de duas décadas, Teresa Castilho, da Sociedade Internacional de Meditação, diz que o princípio da meditação transcendental é chegar a um nível chamado de consciência pura, onde não existe atividade cerebral. Com a mente livre de pensamentos — bons ou ruins —, a fisiologia do organismo passa por mudanças intensas. Eletrocardiogramas e eletroencefalogramas feitos antes, durante e depois do processo mostram as alterações do cérebro e do coração. Pesquisas internacionais já mostraram que as ondas cerebrais ficam mais coordenadas e o ritmo dos batimentos cardíacos desacelera. “São mudanças que podem ser mensuradas”, diz Teresa.

Ela esclarece que a técnica não está ligada a qualquer religião e une a sabedoria milenar indiana com a ciência moderna (leia mais nesta página). A terceira lei da termodinâmica, por exemplo, é um dos princípios da meditação transcendental: quanto menor a atividade, maior a ordem. “Isso também pode ser visto nos três estados da matéria. No gasoso, as moléculas estão em grande atividade, em pleno caos. Já na água congelada, as moléculas estão paradas. Uma mente aquietada e melhor coordenação do cérebro é o que propicia a meditação”, diz.

Segundo a instrutora, os praticantes procuram a meditação por vários motivos, mas, na maioria das vezes, estão em busca de uma ferramenta contra o cansaço físico e mental. “Sabemos que a origem de muitas doenças é o estresse. Quanto mais cedo a pessoa começa a meditar, maior a chance de prevenir doenças geradas pelo estresse, como problemas cardíacos e hipertensão”, diz. Ela explica que a pressão sanguínea normaliza porque, no estado meditativo, há queda de três hormônios, a adrenalina, a norandrenalina e o cortisol que, em excesso, intoxicam o organismo. “Com a meditação, o coração bombeia menos sangue e as paredes das artérias não ficam endurecidas. Além disso, há aumento da serotonina e da endorfina, hormônios ligados à sensação de prazer e bem-estar.”

Em estudo
O psicólogo norte-americano Fadel Zeiden, doutorando em psicologia ligada à saúde da University of North Carolina, diz que os efeitos da meditação sobre a mente e o corpo ainda estão sendo entendidos pela ciência. “A meditação ensina a não reagir a nada, você programa sua mente. Depois de algum tempo de prática da meditação, pesquisadores descobriram que o processo no organismo começa a ocorrer. A mente fica mais eficiente, o que leva a um efeito cascata sobre o corpo. Por exemplo, se você fica deprimido o tempo todo, seu corpo será afetado negativamente e você estará propenso a mais doenças. O mesmo ocorre com o contrário”, afirmou, em entrevista ao Correio.

Há 11 anos, o casal Cláudio Miranda de Andrade, 37, e Ângela Rossi Marcos de Andrade, 33, decidiu procurar a meditação em busca de saúde e melhor qualidade de vida. Policial civil, Cláudio conta que era muito estressado e ansioso. Ele chegou a ter depressão e precisou tomar remédios controlados. “A meditação me trouxe muito equilíbrio. O ambiente pode estar estressante que você consegue ficar centrado, com as ideias em ordem. Aos poucos, fui saindo da depressão e nunca mais tive os sintomas”, conta. Ângela, bióloga, também sofria de ansiedade. “Fiquei bem menos ansiosa, menos tensa. A meditação trouxe mais equilíbrio na minha forma de agir”, diz.

Diferenças

Apesar de geralmente confundidos, enfartes e ataques cardíacos não são a mesma coisa. O coração funciona como uma bomba de ejeção de sangue para todo o corpo humano. Quando se contrai, distribui sangue pelas artérias; e, quando se dilata, traz o sangue de volta para dentro dele, pelas veias. A parada cardíaca ocorre quando o coração para de funcionar. Nessa condição, ele deixa de exercer a função de bomba, inviabilizando a circulação do sangue pelo organismo. A principal causa de parada cardíaca é o enfarto, que ocorre quando há obstrução de um vaso que alimenta o coração.

Esse é o primeiro estudo clínico mostrando que, praticada por um longo período, a meditação reduz a incidência de problemas cardiovasculares”.

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