Por Dr. Fabiano de Almeida Rocha – Geriatra e Coordenador da Área de Geriatria do Hospital Santa Rita
No Brasil, 15 de julho é o Dia do Homem, data que reforça a importância do cuidado com a saúde masculina.
Será que os homens são, de fato, mais relaxados quando o assunto é a própria saúde? Infelizmente, sim. Os dados do IBGE mostram que os homens vivem, em média, 73,3 anos, enquanto as mulheres chegam a 79,9 anos. Uma diferença de quase sete anos que não tem explicação apenas biológica.
Culturalmente, o homem se cuida menos, procura menos o médico e adere menos a tratamentos preventivos. E isso tem consequências diretas na longevidade e na qualidade de vida. Neste Dia do Homem, vamos entender por que essa realidade precisa mudar.
O papel do geriatra na saúde masculina
O geriatra é um especialista que se comporta de forma generalista. O grande objetivo é que os pacientes, especialmente os acima de 60 anos, possam preservar sua independência e autonomia. Isso se faz controlando e prevenindo doenças, mas também promovendo uma vida ativa, com atividade física regular e alimentação adequada.
O foco não é a doença, mas a saúde. As doenças têm sua importância e precisam ser tratadas, mas o que realmente buscamos é que a pessoa consiga aproveitar a vida com qualidade. A atividade intelectual, social e espiritual constante também é parte essencial desse processo.
Com o envelhecimento, as doenças se tornam mais comuns. Pessoas acima de 80 anos, por exemplo, têm de 15% a 20% de chance de desenvolver diabetes. Se não for descoberto a tempo, o diabetes pode levar a complicações graves e comprometer a independência. Por isso, a identificação precoce e o controle adequado são fundamentais.
Por que os homens se cuidam menos?
Essa é uma questão cultural, não biológica. Homens de 70, 80 anos ou mais cresceram em uma época em que o comportamento esperado era de provedor, sem espaço para demonstrar fragilidade ou preocupação com a própria saúde. As mulheres, por outro lado, sempre tiveram mais proximidade com o cuidado.
Mas o cuidado não pode ser definido pelo gênero. Homens e mulheres precisam se cuidar de forma igual. A responsabilidade pela própria saúde é individual.
O homem precisa ir ao médico regularmente, tomar as medicações corretas, fazer atividade física e se alimentar bem, sem depender de outra pessoa para isso. Cuidar de si mesmo também é uma forma de independência.
Genética não é destino
Muita gente acredita que os genes herdados determinam a longevidade, mas a realidade é mais complexa. Existe um fenômeno chamado ativação e desativação gênica. Os genes podem ser ativados ou desativados ao longo da vida, e os hábitos saudáveis influenciam diretamente esse processo.
Uma pessoa pode não ter colesterol alto aos 30 anos, mas desenvolvê-lo aos 50 ou 60. Isso acontece pela ativação de genes desfavoráveis ao longo do tempo. A boa notícia é que alimentação equilibrada, atividade física regular e outros hábitos saudáveis modulam a expressão genética, mantendo ativos os genes favoráveis e inibindo os negativos.
Se o gene se manifestar e o colesterol aumentar, existem medicamentos para controlar. Mas antes dos medicamentos, os bons hábitos de vida já fazem um trabalho importante de prevenção.
A mudança já começou
O modelo cultural rígido que afeta os homens mais velhos é difícil de mudar, mas os homens mais jovens já têm uma percepção diferente. Eles se preocupam mais com a saúde, praticam atividades físicas com mais frequência e buscam se alimentar melhor e gerenciar o estresse.
Essa mudança de comportamento vai refletir diretamente na saúde deles quando chegarem aos 60, 70, 80 anos e, quem sabe, passarem dos 100. É algo que vamos observar nas próximas décadas.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Com que frequência o homem deve ir ao médico?
Ao menos uma vez ao ano para check-up preventivo, ou com maior frequência se houver doenças crônicas em acompanhamento.
A partir de que idade procurar um geriatra?
Geralmente a partir dos 60 anos, mas pode ser antes se houver condições específicas.
O que é mais importante para envelhecer com saúde?
A combinação de alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do estresse, vida social ativa e acompanhamento médico periódico.
Hospital Santa Rita
O Hospital Santa Rita tem uma preocupação especial com as pessoas acima de 60 anos. A instituição tem sido procurada por um número cada vez maior de pacientes com idades avançadas e busca se adequar a essa demanda da melhor forma possível.
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