Os transtornos de ansiedade são os transtornos mentais mais comuns em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2021, cerca de 359 milhões de pessoas viviam com algum tipo de transtorno de ansiedade, que inclui condições como o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), o transtorno de ansiedade social (fobia social) e o transtorno de pânico.
Esse número ajuda a mostrar a dimensão do problema, mas não explica todas as formas como a ansiedade pode aparecer no dia a dia.
Às vezes, é o corpo que chama a atenção primeiro. O coração acelera, o peito aperta, a respiração muda, as mãos suam e surge a sensação de que algo está errado.
Diante desses sintomas, algumas pessoas procuram um pronto atendimento com receio de estarem diante de um problema cardíaco. Outras fazem o caminho contrário e atribuem tudo à ansiedade antes mesmo de uma avaliação.
É aí que surge uma dúvida frequente: crise de ansiedade ou infarto? Para entender por que os dois quadros podem ser confundidos, primeiro é preciso derrubar a ideia de que a ansiedade não acontece apenas na mente.
A ansiedade também pode aparecer no corpo
Quando vivemos uma situação de medo, preocupação intensa ou estresse, o organismo se prepara para reagir.
Nesse momento, substâncias como adrenalina e cortisol são liberadas, o que causa efeitos como batimentos cardíacos acelerados, respiração mais rápida e músculos tensionados. É uma resposta natural do corpo diante de situações percebidas como ameaçadoras.
Em uma situação pontual, essa reação de “luta ou fuga” tende a diminuir quando o estado de alerta passa. No entanto, se a ansiedade ou o estresse se tornam frequentes, essas manifestações podem se prolongar, causando desgaste físico.
Quando o estado de alerta não desliga, a longo prazo, a pessoa pode apresentar sono ruim, cansaço constante, dores no corpo, irritabilidade, problemas gastrointestinais e até sobrecarga no sistema cardiovascular.
Isso não significa que todo coração acelerado, toda dor no peito ou toda falta de ar tenham origem emocional. Esses sintomas podem estar relacionados a diferentes condições, e é por isso que não devem ser interpretados isoladamente.
Crise de ansiedade ou infarto: por que pode haver confusão?
Determinados sintomas podem estar presentes tanto em uma crise de ansiedade quanto em problemas cardiovasculares. Dor ou pressão no peito, palpitações, falta de ar, suor, náusea e tontura são exemplos dessa sobreposição.
No entanto, não significa que seja possível diferenciar os dois quadros apenas observando os sintomas em casa.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), uma dor no peito de início súbito, principalmente quando intensa ou persistente, pode ser um sinal de alerta para infarto.
A preocupação é maior quando o desconforto se irradia para o braço esquerdo, pescoço, mandíbula, costas ou ombros, ou vem acompanhado de falta de ar, suor intenso, náuseas, tontura ou desmaio.
Nessas situações, o importante não é tentar descobrir sozinho se a causa é emocional ou cardíaca, mas sim procurar atendimento médico.
Mesmo quem já teve crises de ansiedade anteriormente deve buscar avaliação diante de um sintoma novo, diferente do habitual ou mais intenso.
A ansiedade pode explicar determinados desconfortos depois que outras causas foram avaliadas, mas não deve servir como resposta automática para sintomas cardiovasculares.
Ansiedade e coração: existe relação a longo prazo?
Quando falamos sobre ansiedade e coração, é importante evitar uma conclusão simplista. Ter um transtorno de ansiedade não significa que uma pessoa necessariamente desenvolverá uma doença cardiovascular, assim como uma crise de ansiedade não causa automaticamente um infarto.
O que as evidências mostram é uma associação entre o sofrimento emocional persistente e uma pior saúde do coração.
Quando a ansiedade e o estresse se prolongam, o organismo pode permanecer em estado de alerta por mais tempo. Isso favorece respostas como aceleração dos batimentos e elevação da pressão arterial, o que tende a sobrecarregar o sistema cardiovascular.
Ao mesmo tempo, o sofrimento emocional pode prejudicar a manutenção de hábitos essenciais para a saúde cardiovascular, como dormir bem, praticar atividade física, ter uma alimentação equilibrada e não fumar.
A longo prazo, essa combinação pode prejudicar a saúde do coração, principalmente em pessoas que já têm fatores de risco, como pressão alta, diabetes, colesterol elevado, tabagismo e histórico familiar de doenças cardiovasculares.
“A ansiedade pode provocar desconfortos físicos expressivos, inclusive palpitações e aperto no peito. Mas, diante de sintomas cardiovasculares, principalmente quando são novos ou intensos, não devemos presumir a causa. A avaliação médica é essencial para diferenciar os quadros com segurança.”
– Dr. Luciano Pessoa Cavalcanti, Chefe da Cardiologia do Hospital Santa Rita
Quando procurar um cardiologista?
Sintomas recorrentes, como palpitações ou desconfortos no peito, merecem investigação mesmo quando não representam uma emergência.
A avaliação médica permite entender o histórico do paciente, verificar fatores de risco e, quando necessário, indicar exames para avaliar a saúde cardiovascular.
No Centro de Cardiologia do Hospital Santa Rita, você conta com uma estrutura completa e equipe multidisciplinar para cuidar do seu coração, com atendimentos que vão desde consultas e exames até intervenções de alta complexidade.
Já sintomas intensos ou de início súbito precisam de atendimento imediato, sobretudo se houver dor ou pressão persistente no peito acompanhada de falta de ar, suor intenso, náuseas, tontura ou desmaio.
Nesses casos, o Pronto Atendimento do Hospital Santa Rita funciona 24 horas e conta com retaguarda cardiológica, UTI Cardiovascular e serviço de Hemodinâmica para situações de emergência.
O cuidado não termina na investigação dos sintomas físicos
Se a ansiedade, o medo ou o sofrimento emocional estiverem afetando sua rotina, procure apoio profissional. Psicólogos e psiquiatras podem ajudar a compreender o que está acontecendo e indicar o cuidado mais adequado para cada caso, com atendimento disponível tanto na rede pública quanto na particular.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188 ou pelo chat no site, 24 horas por dia.
Perceber o que a mente sente e o que o corpo sinaliza faz parte do mesmo cuidado.
