No dia 26 de outubro, às 14h, o Hospital Santa Rita realizou uma live sobre a prevenção dos cânceres de mama e próstata na população LGBTQIA+, com atenção especial às necessidades de saúde das pessoas trans. Promovido pelo Centro de Afirmação de Gênero da instituição, o encontro foi transmitido pelo YouTube e reuniu especialistas para compartilhar conhecimentos, experiências e reflexões sobre os desafios do cuidado com essa população.
A conversa foi mediada pela jornalista Cristiane Segatto, especializada em saúde, e contou com a participação do Dr. Nelson Antunes Jr., ginecologista e obstetra, especialista em reprodução humana e coordenador do Centro de Afirmação de Gênero do Santa Rita; do Dr. Sidney Glina, urologista, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia e da International Society for Sexual Medicine; e de Reinaldo Bulgarelli, secretário executivo do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+.
Diagnóstico precoce e cuidado individualizado
Um dos principais pontos abordados foi a importância de manter o acompanhamento da saúde ao longo de toda a vida, considerando as características individuais de cada paciente.
Os especialistas explicaram que os procedimentos de afirmação de gênero e a hormonização não eliminam, necessariamente, os riscos de desenvolvimento de determinados tipos de câncer.
“É muito importante a gente entender que o problema não se encerra quando você faz a afirmação de gênero. Você tem toda uma saúde pra frente”, explicou o Dr. Sidney Glina.
Mulheres trans que mantêm a próstata, por exemplo, continuam precisando de avaliação urológica individualizada. Da mesma forma, homens trans podem necessitar de acompanhamento relacionado à saúde das mamas, do colo do útero e de outros órgãos, conforme suas características e seu histórico clínico.
Outro tema foi a hormonização, incluindo seus possíveis efeitos sobre a saúde e a fertilidade, além da necessidade de avaliação e acompanhamento por uma equipe multidisciplinar.
Os desafios de uma assistência mais inclusiva
Além dos aspectos clínicos, a live abordou as barreiras que a população LGBTQIA+, especialmente pessoas trans, ainda enfrenta no acesso aos serviços de saúde.
Entre os desafios discutidos estiveram a falta de informação, o despreparo de parte dos profissionais para lidar com necessidades específicas e as situações de discriminação que podem dificultar a busca por atendimento.
Os participantes ressaltaram a importância da formação dos profissionais de saúde, do respeito à identidade de gênero e da construção de relações de confiança entre pacientes e equipes assistenciais.
“Não tem uma formação, uma etiqueta, não tem protocolos, não tem procedimentos institucionalizados para a gente aprender”, observou Reinaldo Bulgarelli, ao comentar as dificuldades que ainda existem na abordagem das necessidades dessa população.
Também foram abordados o papel das famílias, a necessidade de apoio à saúde mental e a responsabilidade das empresas na promoção de ambientes mais inclusivos, inclusive no cuidado com a saúde de seus colaboradores.
Nesse contexto, o Centro de Afirmação de Gênero do Hospital Santa Rita foi apresentado como uma iniciativa voltada à assistência integral, humanizada e multidisciplinar, que considera não apenas os aspectos físicos, mas também as dimensões emocionais e sociais da saúde da população trans.
Assista à live completa
Em alusão ao Outubro Rosa e ao Novembro Azul, a conversa destacou uma mensagem especial: o respeito à individualidade é essencial para uma assistência à saúde mais segura, inclusiva e de qualidade.
Perdeu a transmissão ao vivo ou quer rever os conteúdos abordados pelos especialistas?
Assista à live completa no canal do YouTube e confira todas as discussões.
