Hepatites virais: conheça os tipos, sintomas, formas de transmissão e tratamentos

No Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, entenda as diferenças entre as hepatites A, B, C, D e E e saiba como prevenir complicações no fígado.

As hepatites virais continuam sendo um importante problema de saúde pública. Segundo o Relatório Global sobre Hepatites 2026, da Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 1,3 milhão de pessoas morreram, em 2024, em decorrência de cirrose e câncer de fígado relacionados às hepatites B e C.

O alerta ganha destaque em 28 de julho, data que marca o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais e reforça a importância da prevenção, da testagem e do acesso ao tratamento. No Brasil, o período também integra o Julho Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre essas infecções.

“As hepatites virais são inflamações do fígado causadas por vírus específicos, classificados como A, B, C, D e E. Já as hepatites não virais podem estar relacionadas ao consumo excessivo de álcool, ao uso de medicamentos e a doenças autoimunes ou metabólicas”, explica a hepatologista do Hospital Santa Rita, Dra. Catia[1]  Rejania.

O que são hepatites virais?

As hepatites virais são infecções que provocam inflamação no fígado. Dependendo do vírus, podem se manifestar de forma aguda, durar poucos meses ou evoluir para uma condição crônica.

Em muitos casos, a infecção não apresenta sintomas nas fases iniciais. Por isso, uma pessoa pode conviver com o vírus por anos sem saber e descobrir a doença somente quando o fígado já apresenta algum comprometimento.

As hepatites B, C e D têm maior possibilidade de se tornarem crônicas e podem provocar complicações como:

  • Fibrose hepática;
  • Cirrose;
  • Insuficiência do fígado;
  • Câncer de fígado.

No Brasil, os tipos mais frequentes são as hepatites A, B e C. A hepatite D ocorre principalmente na região Norte, enquanto a hepatite E é menos comum no país.

Quais são os sintomas das hepatites virais?

Os sinais podem variar conforme o tipo de vírus e a fase da infecção. Muitas pessoas não apresentam manifestações perceptíveis.

Quando surgem, os sintomas mais comuns incluem:

  • Cansaço e mal-estar;
  • Febre;
  • Náuseas e vômitos;
  • Perda de apetite;
  • Dor abdominal;
  • Urina escura;
  • Fezes claras;
  • Coceira;
  • Pele e olhos amarelados, condição conhecida como icterícia.

A presença ou ausência desses sinais não é suficiente para confirmar ou descartar a doença. O diagnóstico das hepatites virais depende de avaliação médica e exames específicos.

Hepatite A: transmissão, sintomas e prevenção

A hepatite A é causada pelo vírus HAV e costuma provocar uma infecção aguda, ou seja, de curta duração e sem evolução para uma forma crônica.

Como a hepatite A é transmitida?

A transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral, por meio:

  • Do consumo de água ou alimentos contaminados;
  • De condições inadequadas de higiene e saneamento;
  • Do contato próximo com uma pessoa infectada.

Quais são os sintomas da hepatite A?

A hepatite A pode causar febre, cansaço, náuseas, vômitos, dor abdominal, falta de apetite, urina escura e icterícia. Em crianças, é comum que a infecção não apresente sintomas.

A hepatite A tem tratamento?

Não existe um medicamento específico para eliminar o vírus da hepatite A. O acompanhamento costuma envolver hidratação, alimentação adequada e controle dos sintomas, conforme orientação médica.

A maioria das pessoas se recupera completamente e desenvolve imunidade após a infecção.

Como prevenir a hepatite A?

A prevenção inclui:

  • Vacinação;
  • Higienização adequada das mãos;
  • Consumo de água tratada;
  • Lavagem correta dos alimentos;
  • Cuidados com o saneamento e a higiene pessoal.

O SUS disponibiliza vacinas contra as hepatites A e B conforme as recomendações do calendário de vacinação.

Hepatite B: como ocorre a transmissão?

A hepatite B é causada pelo vírus HBV. A infecção pode ser aguda ou crônica e está entre as principais causas de cirrose e câncer de fígado.

Como a hepatite B é transmitida?

A transmissão pode ocorrer:

  • Em relações sexuais sem preservativo;
  • Pelo contato com sangue contaminado;
  • Pelo compartilhamento de agulhas e seringas;
  • Pelo uso de instrumentos cortantes ou perfurantes não esterilizados;
  • Da gestante para o bebê, principalmente durante o parto;
  • Pelo compartilhamento de objetos que possam ter contato com sangue, como lâminas de barbear e alicates.

Quais são os sintomas da hepatite B?

Muitas pessoas não apresentam sintomas na fase inicial. Quando presentes, podem surgir cansaço, enjoo, vômitos, dor abdominal, urina escura e icterícia.

A hepatite B tem cura?

Na fase aguda, o organismo pode eliminar o vírus espontaneamente. Quando a infecção se torna crônica, o tratamento com medicamentos antivirais pode controlar a multiplicação do vírus e reduzir a possibilidade de progressão da doença.

Embora os tratamentos disponíveis não eliminem o vírus em todos os casos crônicos, o acompanhamento adequado ajuda a preservar o fígado e a prevenir complicações.

Como prevenir a hepatite B?

A vacinação é a principal forma de prevenção da hepatite B e está disponível gratuitamente no SUS. Também são importantes o uso de preservativo e a utilização de materiais esterilizados ou descartáveis em procedimentos médicos, odontológicos e estéticos.

Hepatite C: por que ela é considerada uma doença silenciosa?

A hepatite C é causada pelo vírus HCV e transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado.

A doença é frequentemente chamada de silenciosa porque pode permanecer sem sintomas durante muitos anos. Nesse período, a inflamação pode provocar danos progressivos ao fígado.

Como a hepatite C é transmitida?

As principais formas de transmissão estão relacionadas:

  • Ao compartilhamento de agulhas e seringas;
  • Ao uso de materiais não esterilizados em tatuagens, piercings, manicures e procedimentos estéticos;
  • Ao compartilhamento de objetos com resíduos de sangue;
  • Aos procedimentos realizados antes da adoção dos atuais protocolos de segurança para sangue e hemoderivados.

A transmissão sexual e da gestante para o bebê também podem ocorrer, embora seja menos frequente.

Quais são os sintomas da hepatite C?

A maioria das pessoas não apresenta sintomas no início. Quando surgem, eles podem ser inespecíficos, como fadiga, indisposição e desconforto abdominal.

A hepatite C tem cura?

Sim. Os antivirais de ação direta permitem curar a maioria das pessoas tratadas. O esquema terapêutico é definido de acordo com as características clínicas de cada paciente.

Não existe vacina contra a hepatite C. Além disso, ter sido curado não impede uma nova infecção, o que reforça a necessidade de manter os cuidados preventivos.

Hepatite D: qual é a relação com a hepatite B?

A hepatite D, também chamada de hepatite Delta, é provocada pelo vírus HDV. Esse vírus depende da presença do vírus da hepatite B para conseguir se multiplicar.

Isso significa que a hepatite D ocorre apenas em pessoas que também possuem hepatite B, seja por infecção simultânea ou por uma infecção posterior.

A forma crônica pode evoluir mais rapidamente para cirrose e outras complicações hepáticas.

Como a hepatite D é transmitida?

As formas de transmissão são semelhantes às da hepatite B, incluindo contato com sangue contaminado, relações sexuais sem preservativo e transmissão da gestante para o bebê.

Quais são os sintomas da hepatite D?

Podem ocorrer cansaço, tontura, enjoo, vômitos, febre, dor abdominal, urina escura, fezes claras e icterícia.

Como prevenir a hepatite D?

Como o vírus D depende do vírus B, a vacinação contra a hepatite B também previne a hepatite D.

O tratamento deve ser individualizado e tem como objetivo controlar a infecção e reduzir os danos ao fígado. Pessoas diagnosticadas também devem evitar bebidas alcoólicas e seguir as orientações da equipe médica.

Hepatite E: quando a infecção exige maior atenção?

A hepatite E é causada pelo vírus HEV e, na maioria dos casos, provoca uma infecção aguda e autolimitada. Entretanto, pode apresentar maior gravidade em gestantes e, em situações específicas, tornar-se crônica em pessoas imunossuprimidas.

Como a hepatite E é transmitida?

A transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral, especialmente pelo consumo de água ou alimentos contaminados. Também pode estar associada:

  • À ingestão de carne crua ou mal cozida;
  • Ao contato com produtos de origem animal contaminados;
  • À transfusão de sangue infectado;
  • À transmissão da gestante para o bebê.

Quais são os sintomas da hepatite E?

Os sintomas podem incluir perda de apetite, indisposição, náuseas, vômitos, febre, dor abdominal, coceira e icterícia.

Como é feito o tratamento?

Não há tratamento específico para a maioria dos casos. O acompanhamento envolve hidratação, alimentação adequada, repouso relativo e monitoramento médico.

Nos quadros graves, pode ser necessário suporte hospitalar para preservar a função do fígado. Em casos de insuficiência hepática aguda, o transplante pode ser considerado.

Como é feito o diagnóstico das hepatites virais?

O diagnóstico pode envolver testes rápidos, exames de sangue e, conforme a situação, avaliações complementares para verificar a função e o grau de comprometimento do fígado.

A testagem é especialmente importante para pessoas que:

  • Tiveram contato com sangue ou materiais possivelmente contaminados;
  • Compartilharam agulhas, seringas ou objetos perfurocortantes;
  • Realizaram tatuagens ou procedimentos com materiais sem garantia de esterilização;
  • Tiveram relações sexuais sem preservativo;
  • Receberam transfusão de sangue ou passaram por cirurgias antes da adoção dos atuais protocolos de segurança;
  • Têm alterações persistentes nos exames do fígado;
  • Convivem com alguém diagnosticado com hepatite viral;
  • Estão grávidas ou realizam acompanhamento pré-natal.

A indicação dos exames deve considerar o histórico e os fatores de exposição de cada pessoa.

Como prevenir as hepatites virais?

As medidas de prevenção variam conforme o vírus, mas alguns cuidados ajudam a reduzir as possibilidades de infecção:

  • Manter a vacinação contra as hepatites A e B atualizada;
  • Usar preservativo;
  • Não compartilhar agulhas ou seringas;
  • Não compartilhar lâminas de barbear, alicates e outros objetos que possam conter sangue;
  • Verificar se materiais de tatuagem, piercing e procedimentos estéticos são esterilizados ou descartáveis;
  • Lavar as mãos e higienizar corretamente os alimentos;
  • Consumir água tratada;
  • Realizar o pré-natal e os exames recomendados;
  • Fazer a testagem quando houver indicação.

Por que o diagnóstico precoce é importante?

As hepatites virais podem permanecer silenciosas por longos períodos. Sem diagnóstico e acompanhamento, algumas infecções podem evoluir para cirrose, insuficiência hepática ou câncer de fígado.

Identificar a doença precocemente possibilita iniciar o tratamento quando indicado, acompanhar a saúde do fígado e adotar medidas para evitar novas transmissões.

“Quanto mais cedo a doença for diagnosticada e tratada, maiores são as possibilidades de evitar danos graves ao fígado e preservar a qualidade de vida do paciente”, destaca a Dra. Catia Rejania.

Quando procurar atendimento médico?

Procure avaliação se houver suspeita de exposição aos vírus das hepatites ou sintomas como pele e olhos amarelados, urina escura, dor abdominal, vômitos persistentes ou mal-estar intenso.

Também é importante conversar com um médico mesmo na ausência de sintomas quando houver histórico de exposição. Somente a avaliação clínica e os exames podem confirmar o diagnóstico.

Cuidado com a saúde do fígado no Hospital Santa Rita

As unidades do Centro Médico Santa Rita oferecem atendimento em hepatologia e exames para o diagnóstico e acompanhamento das hepatites virais e de outras doenças do fígado.

O Pronto Atendimento do Hospital Santa Rita, próximo à Avenida Paulista e à estação Ana Rosa do metrô, funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, para atendimentos de urgência.

Diante de sintomas ou suspeita de exposição, procure orientação médica. O diagnóstico precoce pode reduzir complicações e contribuir para a preservação da saúde do fígado.

Agendamentos

Os agendamentos para consultas e exames podem ser realizados pelos telefones: (11) 5908-6000 e (11) 93400-5380, ou ainda pelo e-mail: [email protected].

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